Quem sou eu

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Embaixo desse peito peludo tem um coração que ainda pulsa!

Tuesday, September 13, 2011

Por um amor que me distraia.


Peço a Deus por um amor que me distraia.

Em algum ponto na fuga não soube mais voltar e todo momento em que penso em voltar eu não sei dizer se me querem de volta, afinal, ser aquele que vai é muito mais fácil do que ser aquele que foi deixado.

É preciso fixar os pés no chão, e saber onde é o seu lugar, mas nunca, nunca se deve deixar sem dar notícias.  Fugi, sumi sem deixar carta ou vestígio, vez ou outra boto a cara pra fora da porta e espero a coragem de voltar como se nada tivesse acontecido.

Um amor me distrairia.
Recebi recentemente um comunicado que dizia que eu já havia cumprido a minha pena e que estava portanto, liberado para parar de sofrer. O drama fez parte da minha vida por tanto tempo que quando ele se foi eu nunca me senti tão só.

Um amor me deixaria menos amedrontado.
O amor, talvez, seja a maior mentira já criada por corporações americanas no intuito de nos fazer pensar que alguma coisa vale a pena. Até o dado momento eu estou comprando a idéia sem questioná-la. Não quero mais briga, não quero mais guerra, só quero ser e deixar fluir.

Até o dado momento já tirei metade do meu corpo do buraco. Não estou lutando para tirar o resto, mas estou aproveitando a vista. Nadar contra a corrente não te leva longe, só te deixa no mesmo ponto e mais cansado.

Cansei de brigar contra.
Cansei de querer não ser.
Um amor me certificaria de que eu não devo pensar tanto no que pode ser, no que deve ser e no que não foi.

Só quero ser rei da terra do eu mesmo.
O resto que se foda.
Que venha! Estou pronto. 

Monday, September 05, 2011

Tomorrow is my turn


Tomorrow is my turn, no more doubts, no more fears,
Tomorrow is my turn to make life worth living.

 No desespero a gente bebe.
 E ando pelas ruas desta cidade que conheço tão bem, esperando que algo me aconteça, nem que seja um assalto, um susto, um cachorro passando, um gato preto ou um espelho quebrado.

 Tomorrow is my turn.
 E a gente aguenta mais um dia. Sweetheart, it’s too late to regret.
 Mais um dia e mais nada.

Quando Dimitri Navarro entrou neste mundo, existia uma lenda de que a vida era um grande jogo de tabuleiro em que você deveria vencer. Aparentemente existem alguns critérios para se declarer vencedor. Jogue os dados, avance e quando você achar que chegou, uma das cartas vai dizer “volte dez espaços” e é nisso que você vai ficar.

Tomorrow is my turn.
To receive without giving.
To make life worth living.

Jogue os dados outra vez pequena vadia.
Onde está aquela coisa de azar no jogo e sorte no amor?

No desespero a gente bebe mais uma vez. E quando não se há razões para beber, quando não há nada para comemorar,basta beber. Basta reunir quem quer que baste e beber. Encher a cara já não me dá mais prazer, mas esconde bem a dor. Ou traz ela de volta e algo em mim desperta e fala “isso aqui tá uma merda” e sai correndo pelas ruas escuras do bairro nobre em busca de alguma humilhação, algum aperto no peito, algo que o valha, algo para contar amanhã.

 Qualquer dor é melhor que dor nenhuma.
 Qualquer dia é apenas mais um dia.
 Quando você acorda, jogam os dados e mexem o seu peão (só espero que o meu peão seja o vermelho).
 Se você tiver sorte foi a senhorita Rosa, com o castiçal na sala de música.
 Se não tiver sorte tente outra vez.

Tomorrow is my turn.
Quem sabe?

- Dimitri

Sunday, August 07, 2011

A morte e a morte de Dimitri Navarro.

Os dedos comidos, roídos, cortados.

Não se pode espremer um limao para colocar numa pinga. Os dados ardem, doem como a alma que me falta, desço a pinga num gole só e ela corta, queima minha garganta e desce me fatiando em duas partes. Meu estômago a muito já fudido protesta mas eu não o ouço. Ainda não vejo em dobro.

Os dedos comidos, cortados como se eu quisesse libertar a minha alma deste corpo que não é dela. Como se um dia eu tivesse acordado em uma vida que não é minha e é isso que tem para hoje.

Estranhos no ninho, estranhos ao redor e algo aconteceu com o pequeno Dimitri que era engraçado e que sabia viver.

Sem alma, sem fígado e sem coração, o pobre Dimitri segue, sem nenhum apelo, por esta vida onde ele não é o protagonista. Uma vida que nunca foi sua, que de repente caiu nos seus braços. Como uma sequencia de filme onde de repente o ator principal é muito importante para continuar e te colocam no lugar sem nenhum aviso prévio.

Acordei e tinha alguém segurando a minha mão e dizendo que tudo ia dar certo.
Acordei e havia perdido duas décadas e eu estava vivendo num mundo onde as pessoas são importantes. Não soube agir.

Numa tentativa idiota de quase conseguir eu arrumei um emprego que preenche a maior parte dos dias que não são meus e me ocupei de mudar o meu corpo e de falar besteira. Me ocupei também de tentar entender a minha vida ouvindo os problemas alheios. Ninguém sabe que eu já morri pelo menos umas três vezes e ninguém pergunta. Tudo está configurado, as pessoas sabem quem eu sou e eu não sei quem elas são. Todo dia, as 6:30 da manhã o diretor diz: “ação” e Dimitri segue em frente.

No resto eu bebo, escreve e acho que não fumo mais.

Nunca mais comi ninguém. Acho que desde que voltei a viver não comi ninguém. Me masturbo constantemente, mas o ato mecânico de ejacular já não me satisfaz como antigamente.

Eu nunca mais amei ninguém.

Que Deus amaldiçoe a minha segunda morte da qual eu nunca voltei. Que Deus me castigue por ser tão idiota!

Vou me afastando e vou sumindo, vou roendo as unhas e comendo os dedos. Vou espalhando ódio, semeando discórdia, filho de Heris, metade homem metade inferno, aos poucos vou ficando sozinho e vou morrendo de pouquinho até o ponto em que eu vou viver de novo e meus dedos comidos não me permitirão nem espremer um limão.

Saturday, July 30, 2011

Mais um

Maldita dor no peito.
Que nem se vai nem se transforma.
Nada se cria, tudo se copia.
Sou a cópia do clichê do filme da sessão da tarde.
E até que a dor vá embora
Eu a encaro de frente.
Que deus tenha piedade da minha alma.

Tuesday, July 26, 2011

Le petit

Quando vamos aprender?

Que do twitter deixou mais difícil de sofrer.
Vem da mágoa, do orgulho ferido.
A paixão é pior que um chute no saco.
E quando o orgulho diz que não e a verdade diz que sim você já sabe.

Nunca demore mais do que três segundos numa resposta.
A paixão dói mais que uma faca no peito. E te deixa mais vergonhoso que cagar nas calças.

Se não aguentar peça pra sair. Diga que está com diarreia, se tranque no armário, não saia por nada nesse mundo.

Se não aguentar grite. Vai doer e não tem jeito.

Se não tiver jeito aguente.

Quando a gente vai aprender?

Toda bagunça tem jeito, o mais difícil é começar.
Que agora ficou mais difícil de sofrer.
Que agora tá todo mundo vendo.
Num raio X seu coração. Numa panela sua alma. No saco de lixo os pelos pudendos.

Que do orgulho ferido vem o desejo de vencer.
Que do desejo de vingança vem o desejo de te ter.
Eu não aprendo nunca.
E nem três horas de sexo me fazem esquecer.

Tuesday, June 28, 2011

No país dos coelhos brancos, o ódio não há de imperar.

Promessa é dívida.

No começo era só uma opinião e nem todos tinham direito a isso.
Depois as pessoas foram abrindo seus espaços, alguns com palavras, uns com imagens outros com sons.
De repente, todos tinham seus espaços, todos falavam e todos tinham voz, e o que nós fazemos com esta voz? Nós a usamos para tentar calar as vozes dos outros.

O ódio é a maio tendência desde 2009, em todas as estações. Desde que conseguimos burlar as leis da física e estarmos em mais de um lugar ao mesmo tempo sem nunca calar a boca, nós falamos e falamos e falamos e normalmente nós falamos mal.

Eu geralmente amo reclamar, acho um passatempo bastante divertido, mas até eu acredito que nós passamos do ponto.

O ódio e a ignorância tomaram o espaço da amizade, das idéias, das invenções revolucionárias.

Perdi minha paixão quando perdi a vida pela segunda vez.
Perdi a tara, perdi os músculos, perdi a capacidade de raciocinar e de transformar comida em merda.

E então você corre de braços abertos em direção norte, e está um calor do caralho, mas ainda assim você toma café para aguentar o pique e Deus sabe que você precisa cagar antes de sair de casa.

Perdi a concentração, o ônibus, a paciência e os cabelos.

Senti que não mais voltaria, então fiz a seguinte declaração a imprensa:

“Venho através desta, comunicar que perdi o gosto pelas coisas pequenas da vida, minha única diversão é reclamar nas redes sociais e rir da cara de pessoas com auto estima muito elevada. Fica portanto estabelecido o fim da minha tão curta carreira no dia de hoje, vou estar off-line e posso nunca mais responder”.

Me escondi em uma caverna levando comigo um cajado para compor a cena. Estava tudo perfeito, eu era a minha válvula de escape; as únicas coisas a fazer era caçar coelhos e beber.

Logo começaram as teorias, o que teria acontecido com Dimitri Navarro? Como desistir de um mundo onde todas as pessoas tem seus próprios jatinhos particulares, luzes, flashes, paparazzi?

Ficou acertado pelo governo que todas as pessoas eram magras e bonitas e teriam um programa na televisão onde falariam de suas carreiras e entrevistariam a si mesmas, eu, portanto, estava infringindo uma lei federal, visto que estava escondido em uma caverna comendo coelhos, logo as pessoas viriam atrás de mim.

Não foi o que aconteceu.
Em meados de fevereiro do ano que vem, eu fui dado como morto pelas autoridades locais, houveram menções ao meu nome nos programas pessoais de televisão, um pouco antes de todas as pessoas começarem a entrevistarem a si mesmos sobre seus novos projetos.

Pensou-se em fazer uma homenagem, mas as pessoas não teriam tempo. Todas elas estavam fugindo dos paparazzi, dos stalkers, planejando seus novos projetos, organizando os seus portfólios sobre si mesmos e por alguma razão ainda hoje desconhecida, escolhendo um novo hino nacional. Foi acertado pelo governo que o antigo, mesmo depois de remixado pelo David Guetta não funcionava mais.

Continuei com os meus coelhos e um dia estabelecemos uma relação de troca. Os coelhos me sacrificavam um deles em troca de histórias, eu guardei as peles dos pobres coitados e logo fiz novas roupas pra mim, um dia eu reuni os coelhos e comecei a contar-lhes a história do ódio, a história do que me fez fugir.

Foi assim:
Um dia, uma das pessoas burlou a regra geral estabelecida pelo governo e além do programa pessoal de TV resolveu fazer um filme, muitas outras pessoas foram convidadas para o projeto, outras ficaram de fora e o ódio começou.

As pessoas eram acusadas de inveja e recalque aonde não existia nada. Os programas pessoais de TV, agora, além das entrevistas pessoais, contavam também com denúncias e encenações e as pessoas se voltaram uns contra os outros.

No fim dos tempos, quando resolvi fugir, se reclamava de tudo e de todos, eu estava me divertindo em uma festa dada pela Lindsay Lohan nos fundos da casa dela, estávamos todos escondidos, pois a polícia não poderia saber que não estávamos em casa gravando nossos programas. Lindsay estava me contando uma belíssima história sobre como ela costumava fazer redução de vinagre balsâmico para acompanhar seu famoso carpaccio de salmão, quando ela parou para cheirar uma carreira de pó que estava nas costas do Jim Carrey que estava deprimido.

Logo coelhos, as pessoas começaram a travar uma batalha dentro da festa e notas e mais notas de dinheiro foram queimadas, a cocaína se espalhou por toda a casa e então eu percebi o que estava acontecendo: Era tudo uma armação!

As pessoas se odiavam tanto que começaram, todas a querer dominar o mundo, cada um estava formando um exército com o que podia, toalhas de mesa, garfos, mangueiras de pressão e cafeteiras elétricas.

Fui embora depois que os stalkers contratados pelo governo começaram a se vender. Me neguei a fazer parte deste mundo e fugi no dia em que recebi na minha casa um convite de celebração da existência de uma única pessoa.

Juntei tudo que ainda restava em casa e deixei a cidade que estava em chamas.

Os coelhos, estavam todos chorando, um deles se ofereceu para o próximo sacrifício, mas eu me neguei. Comecei uma horta, os coelhos me ajudaram, passamos a viver em comunidade, eles me ensinaram a plantar e colher eu os ensinei a escrever, cantar e desenhar. Emprestei a eles os livros que eu trouxe e eles realmente adoraram! Alguns começaram a escrever seus próprios livros e ficavam bastante empolgados quando me pediam para escrever a orelha dos livros, logo, eu me transformei no escritor oficial de orelhas. Eles ficaram todos muitos felizes e todos eram bons em uma coisa.

Os coelhos eram bons e leais e me faziam esquecer a guerra lá fora. Não havia guerra entre eles. Desde que eu parei de comê-los eles se tornaram meus amigos e todos os dias, nós nos reuníamos para ouvir a história de um dos coelhos, que seria escolhido pela luz do sol do alvorecer.

E foi assim, e foi por isso que Dimitri não mais voltou.
E foi por isso que Dimitri não mais sentiu.

Para compensar os coelhos comidos sacrifiquei meu coração em nome da montanha. E desde então tive paz.

Sunday, May 15, 2011

My city is my bitch and I fuck her from behind.

Eu faço o que posso to fit in, mas as coisas andam um pouco confusas nessa nova geração.

Pessoas inteligentes fingem que são sentimentais e acreditam no amor, mas preferem barrigas de tanquinho e cus apertados.

Existe uma febre de auto estima acometendo o mundo, eu, que nunca tive muito respeito próprio não sei bem como agir quando todas as pessoas tiveram acesso a redes sociais e podem postar fotos oficiais do look da balada de hoje, e flyers para festas de aniversário (lembrar de fazer um para mim) mas não consigo parar de pensar que um flyer para uma festa de aniversário é a coisa mais idiota que poderia acontecer na humanidade.

As pessoas se acham tão importantes que um simples aniversário agora é um mega evento que merece atenção e holofotes.

Dia desses uma dessas peruas foi a um cabeleireiro e não pagou nada, pegou roupas em uma loja e não pagou nada, tirou fotos com um fotografo e não pagou nada. No fim do dia, ela colocou a foto no facebook, com links para os sites da “produção do look” e um convite para o lançamento de um blog de moda.

Eu me pergunto o que aconteceu.

Mais um blog de moda e o fim se aproxima cada vez mais. E de repente as pessoas tem dinheiro para fazer grandes festas para o lançamento de um blog que se faz de graça que ninguém vai ler. Ninguém lê blogs, as pessoas só beijam as bucetinhas alheias com comentários e declarações de amor bobas. “Amo você” é o novo bom dia e depois dai é só queda.

E então eu percebo.
Eu sou jovem demais para ser tão velho e rabugento. E dai que a vadia quis fazer uma festa? Se eu pudesse eu também faria!

Então, num rompante de felicidade e um sentimento que me aquece eu, Dimitri Navarro, coloco meus coturnos, passo na banca mais próxima, compro uma carteira de cigarros e depois pego um ônibus na minha cidade capital interiorana e provinciana, onde a única esperança é encher a cara.

A gente faz o que pode to fit in.

A gente, sai a gente bebe e a gente até mesmo compra coturnos. Eu tenho uma certa tara por coturnos. Coturnos, tatuagens e alargadores em mim e no mundo, mas nesta cidade do Texas as pessoas te olham feio.

Eu não ligo. A Lady GaGa uma vez disse que eu poderia ser o que eu bem entendesse, eu realmente a odeio, a culpa pelo boost de auto estima que acontece no mundo é em parte dela, mas pensando bem, hoje, tudo o que eu quero na vida é ser um filme francês.
Eu tenho tudo que preciso nos meus bolsos: Cigarros, celular com bônus, algum dinheiro oriundo da recisão do contrato com o jornaleco, e uma imensa e súbita vontade de viver.

Viver! Viver e foder a vida por trás! Infelizmente nesta cidade que pode até dar para você, mas que depois te pisa e te humilha e ri da sua cara e diz coisas ruins e espalha boatos sobre você. Viver infelizmente neste mundo onde nós competimos por status e retweets, mas viver!

Me dê um bom lugar para dançar e cerveja e eu estou pronto! Eu tenho tudo o que tenho nos meus bolsos! Eu bato os meus coturnos duas vezes e de repente, Totó, I don’t think we’re in Kansas anymore! Eu posso ser o que eu bem entender e eu posso estar onde eu quiser hoje a noite. (sim! Eis o tamanho da minha vontade de viver). Hoje eu sou um filme francês e minha cidade é Malibu! Deus como eu queria uma guitarra para me fazer ainda mais poser do que antes!

Quem sou eu com um coturno e uma guitarra imaginária? Eu sou um jornalista / bichinha fudida, Britney is my goddess e eu quero ser um filme francês! Eu juro por Deus que se eu pudesse eu usaria jaqueta de couro, óculos escuros não, pois já é noite e óculos escuros de noite é um sinal de desespero até mesmo para mim.

Esqueçam tudo o que eu disse. Hoje eu só sou um filme francês.

As opções: O meu bar e depois o lançamento do blog de moda da putinha. Com sorte alguém tocará uma música que preste e a cerveja vai estar gelada. A coisa sobre a minha cidade é que se te convidarem para qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, aceite. Talvez seja a sua única chance de que algo divertido aconteça. Não desita nunca.

Somos recordistas em analfabetismo e no número sempre crescente de assassinatos de jovens a mão armada. Isso não significa que você não deva sair de casa e com certeza um recorde levou ao outro.

A gente faz o que pode para fingir que está tudo bem.

A cidade está difícil distante e fria hoje. Por mais que você tente a cidade sempre dá um jeito de se esquivar, “parece que vai ser você e a sua mão mais uma vez meu querido, ela diz”. A cidade não te dá oportunidades, não te dá opções não te faz amor, mas é linda como uma filha da puta e a vantagem que vem da frieza e do medo do futuro é que todos bebem. Todos tem um âmbito desesperador de viver. A gente bebe porque é o que tem para hoje e amanhã e sempre. E não pense que isso é ruim! No way!

A cidade é desesperadora como esperar por um ônibus num sábado a noite chuvoso. Você espera, espera, e tem medo e com sorte algo de bom vai sair disso. Algo de bom vai acontecer depois que você entrar naquele ônibus, meu querido!

É a minha esperança e a de milhares de outras pessoas que como eu vivem na espera de que um dia, você tenha algo interessante para contar.

Tuesday, May 03, 2011

Notícias do mundo.

Querida Daphne.

Quando as coisas fogem do seu controle e você não tem mais nada a que se agarrar para fazer com que o mundo pareça ser um pouco seu, você começa a procurar soluções meio loucas. Dia desses eu pensei em descolorir o cabelo. Descolorir o cabelo não me levaria a nada, mas ao menos eu teria o controle sobre o meu cabelo. Parece besteira, mas controlar o cabelo, na situação em que me encontro hoje em dia seria mais poder do que matar o Osama Bin Laden.

Por falar nisso, não acredito que o Osama tenha morrido. O Saddam a gente viu ser enforcado, o Osama a gente só ouviu falar. Não sei. Acho que tá rolando alguma coisa ai por baixo.

(Daphne, não sei você, mas eu confundo Obama com Osama o tempo todo. Pensei até que tinham matado o negão, mas felizmente mataram o cara certo).

Uma coisa que eu percebi é que quanto mais desesperado você fica, mais você tenta racionalizar a situação e começa a pensar muito. Pensar muito nunca levou ninguém a nada. Veja bem, os grandes gênios ou eram loucos ou eram um pé no saco. Eu não me importo muito com a invenção da lâmpada e acho que todos os inventores devem ter sido bem egocêntricos.

Talvez o mundo acabe numa explosão de ego. Andei suspeitando que o ego das pessoas é o que está causando tantos terremotos. Será? No meu tempo (ah, como eu adoro dizer isso) as pessoas tinham que trabalhar duro e chegar em algum lugar para que pudessem se sentir tão importantes. Olhe, eu me sinto com quase 90 anos! Juro, eu não faço parte deste mundo!

( Daphne, você por um acaso sabe quem inventou a cerveja? Lembre-me de agradecê-lo pessoalmente quando eu morrer. Mas dizem que foi um egípcio, muito, muito antigamente. Cara esperto. Próxima vez que eu ficar bêbado me lembre de tirar uma foto de lado).

Tem gente que se sente melhor do que você por gostar de um tipo determinado de música, por ser magro, por ter dinheiro, por falar 7 idiomas, por não andar de ônibus, por saber o nome de todos os afluentes do rio Amazonas. Sinceramente, acho que todo mundo é uma grande bosta, mas até entendo. Ser uma grande bosta é tão triste que talvez a única solução seja ter um blog de moda e achar que isso é bom o bastante. Não sei. Ando confuso.

Bem. Precisamos urgentemente daqueles vestidos de noiva.
Lembre-se.

Beijos.

Dimitri Navarro.

Tuesday, April 19, 2011

Para os dias em que perdemos a alma.

Em dias que perdemos a alma, tudo estará em tons de cinza, mesmo que o dia esteja ensolarado e o céu esteja no pantone certo para um dia feliz. Em dias que perdemos a alma, faremos uma playlist para que as mais simples ações do dia, se tornem cenas de filmes franceses que ninguém entendeu.

Existem dias em que acordamos sem alma, em que as coisas não darão certo mas que ainda assim teremos que sair e viver.

Em dias em que perdemos a alma, não devemos nos olhar no espelho (mesmo que seja o seu espelho; em tempo: olhe-se apenas em um espelho e em nenhum outro. em casos de emergência procure uma boa luz). Ao nos olharmos no espelho em um dia sem alma, nos veremos gordos e carecas, magras demais, sem brilho demais....

Em dias que perdemos a alma, não é elegante fazer ligações telefônicas ou nos encontrarmos com pessoas. Caso não haja a possibilidade de ficar sozinho, opte por um bom playback, um sorriso não exagerado, mas também não muito falso. Não fale nada, apenas acene. Não seja mal educado, diga que está com dor de cabeça, se te oferecerem uma pílula engula, mesmo sem saber exatamente qual é e para que serve.

Não bastasse estar gordo e careca em dias assim nós provavelmente vamos bater o joelho na quina de um móvel ou tropeçar, logo quando as coisas pareciam melhorar, geralmente em local público e movimentado.

Dica: Caso você sinta uma súbita vontade de tomar uma cerveja, um picolé de limão, ou comer um brigadeiro com granulados coloridos (não tem nada que me deixe mais feliz do que brigadeiro com granulado colorido) não resista. Em dias assim, é comum encontrarmos pedacinhos de alma e de paz em pequenas coisas como esta, ou mesmo em uma canção que você sempre adorou, mas não sabia que era da Janet Jackson e agora sabe. Isso é bom.

Dias assim não duram muito. Provavelmente amanhã já estaremos melhores. Se pensamentos ruins passarem pela sua cabeça pare e respire. Se amanhã não estiver melhor descanse. Se não adiantar se acalme. Se não fizer efeito procure um medico e se ainda assim não der resultado, sinta-se a vontade.

Acho que talvez Deus não fique com raiva. Mas lembre-se sempre de tentar o brigadeiro (ou seja lá o que fizer sentido para você).

DN

Friday, April 01, 2011

Sobre o amor. Ou uma xícara de café.

Há tempos venho tentando escrever algo sobre o amor, sem que soasse brega ou ressentido demais. Algo que fosse claro, sem que minhas emoções entrassem no caminho e estragassem tudo, mas como escrever sobre o amor sem que as emoções entrem no meio do caminho?

Quando se tem 17 anos e alguns quilos acima do peso, fica difícil acreditar que o amor não seja simplesmente uma grande merda inventada por grandes empresas no intuito de vender: Filmes, cartões, roupas, cds, livros, bijouterias, sapatos, chocolates, vodca... Qualquer coisa.

Quando eu tinha 17 anos e os meus cabelos batiam nos ombros e eu estava acima do peso e ninguém me queria eu culpava o amor por quase tudo. Era bom as vezes. Era bom me trancar no quarto e ouvir Coldplay, (e achar que isso me faria uma pessoa melhor que as outras) e chorar e escrever e desenhar e dizer “O amor é uma grande merda!” ou, a clássica eterna, sempre melhor: “Love is suicide”. Não consigo te dizer quantas vezes eu escrevi isso no braço.

A gente cresce e o amor não vem.
A vida, infelizmente não é da Disney e ninguém sabe cantar aquela música que você sempre quis cantar. Ninguém tem saco para coreografias e o ônibus está cheio.

Uma das grandes verdades da vida é que você nunca para de se masturbar. E eu falo isso porque durante muito tempo, amor e sexo para mim eram a mesma coisa. Acho que você pensa isso até que alguém te foda nos dois sentidos e você perceba que está na hora de comprar acessórios.

Então veio o vazio.

Para alguns o vazio foi bom. Houve sexo. Houve muito sexo. Houveram drogas e um momento charmoso com cigarros. É uma pena que não tenham inventado um cigarro que não te deixa com cheiro de cigarro. É verdadeiramente uma pena. Cigarros são uma boa companhia. Mas são mais como aqueles amigos que sempre roubam um pouquinho da sua carteira. Ouviram isso crianças? Se você fumar, dinheiro vai sumir da sua carteira. E você vai ficar broxa. Enfim.

Houve o vazio. E então o amor é o nada.
E você diz para pobres criancinhas que o papai Noel não existe, que o amor não existe e que ser bissexual é uma grande mentira. E de repente você tem uma fila de criancinhas boquiabertas querendo saber mais e você não pode dizer porque o segurança te convidou a se retirar do local e você vai buscar uma xicara de café ou algo assim. (Eu teria escrito “algo que o valha, mas eu sempre me sinto estuprando ‘O apanhador no campo de centeio’ quando faço uma merda dessas).

Quando você tem 20 e poucos e menos quilos a mais o amor se torna algo distante para o qual você não tem tempo. Apesar de que você tem tempo para twittar, escrever, se masturbar (você nunca para), caminhar, malhar, beber, beber, beber, fumar, escorregar na calçada de um prédio de nunca mais conseguir fazer a nota ré menor no violão, já que você é um imbecil e machuchou o dedo na queda. Será que eu seria bom no violão?

O amor foi para as cucuias. Minha carreira de músico também. Ok, ela nunca existiu.

Quando o amor para de existir é um pouco preocupante para o seu gosto musical. Ao menos foi para mim. Quando meu coração virou pedra eu desisti de bandas boas e letras sentimentais e troquei por batidas pop e letras safadinhas. Bye bye rock’n’roll, hello anos 90! De repente eu adorava a Janet Jackson e isso era normal.

Foi-se um ano. Dois anos...

O que quero dizer aqui é que o amor é sim uma grande merda. Ou uma mega diversão. É como montanha russa. Tem gente que ama, tem gente que tem medo.

O amor é exatamente aquilo que você faz dele. Se você quiser que ele seja um pastel de carne ele assim o será. (Ok, talvez não tanto, mas se você conseguir me avise).

Talvez o que você esteja sentindo seja raiva. Talvez seja paz. Talvez seja tristeza, quem sabe um resfriado... Mas não desista. Talvez ele apareça. Talvez o amor seja o seu disco preferido ou um celular com tecladinho. Ou botas, ou um bolo com recheio de chocolate, cobertura de chocolate e pedaços de chocolate (talvez isso seja Deus).

Eu não sei o que é o amor então vou parar de escrever por enquanto.

Talvez o amor esteja batendo na minha porta.
Talvez eu precise de uma xicara de café.

Mas a grande verdade do mundo, é que nós vamos precisar de acessórios. Em qualquer estação.

Monday, March 28, 2011

O que tem pra hoje

Em terra que tem poucos donos, e onde não existem leis, logo se aprende que por aqui, é cada um por si.

O descaso das autoridades com a educação e a geração de oportunidades, faz com que se viva em egoismo. Vive-se desconfiado, em uma angústia sem fim, torcendo para chegar logo em casa e que a sexta feira não demore muito.

Logo se aprendeu a tentar sempre ser o primeiro, passer por cima, dar um jeitinho, ir pelo acostamento, “ninguém vai perceber“, entre outros truques.

Há um sentimento de cansaço e abandono. As pessoas parecem ter desistido e vive-se apenas porque é o que tem pra hoje.

Thursday, March 24, 2011

Carta aberta ao preconceito.

No radio o pastor falava que para arrumar um emprego, não é necessário estudo ou experiência, basta pedir com força que Deus te dará. Tive vontade de perguntar ao taxista quantas vezes ele pediu para ter um taxi fubento e calorento que não fecha a porta direito e por quê.

Façamos o teste. Eu estudo e batalho e você reza. Vamos ver no que dá.

Eu estava indo para o meu emprego que eu consegui estranhamente estudando e batalhando, não rezando como é convencional quando ele começou a falar que a homossexualidade era o pior problema do mundo e que para piorar, toda novela da globo tem pelo menos dois “viados”.

Acho que ele tem razão.
A fome e a miséria não são tão horríveis quanto a homossexualidade. Nem mesmo o cancer e a AIDS são problemas que se devam combater enquanto houverem gays no mundo.

Você sabia que toda vez que você chupa um pau, uma criança na África derruba um copo de água no chão? Pois é...

Antes de tudo, quero dizer que não tenho nada contra nenhuma religião. Uma pessoa muito próxima a mim é religiosa e eu o amo muito. E o respeito muito.

Não é a religião que me incomoda, o que incomoda é a burrice. (se você achou que estou falando de você e ficou ofendido, peça para cagar e saia!).

Se você, vendo toda a miséria e desigualdade no mundo, acha que ser gay é um dos grandes problemas da humanidade, então talvez você seja o maior problema da humanidade.

Não acredito no seu Deus cheio de ódio e julgamentos.

Sou apenas uma pessoa querendo amar e não machucar ninguém. Façamos um teste. Você continua rezando e fazendo nada, enquanto eu vou batalhar a minha vida e viver feliz, amando e sendo amado e sem ofender ninguém. Quando nós dois morrermos vamos ver o que Deus tem a dizer sobre as duas atitudes. Se eu estiver errado não terei problemas em admitir.

Pois bem meu querido taxista bem sucedido. Enquanto você reza, peça a Deus que no seu future um mínimo de duas bichas seja tudo que você vai ver na televisão, pois eu te asseguro: Nós viemos para ficar e vamos batalhar o nosso espaço!

Continue rezando. Quem sabe assim você continue alheio a tudo que acontece a sua volta.

Wednesday, March 23, 2011

Monstros em fila.

Nesta nova temporada do mundo onde o bonito é ser feio eu ainda não sei bem como agir perante certas situações.
Em uma tentativa desesperada de se redimir da culpa, seres humanos preferem se auto denominar monstros, canibais, robôs, qualquer coisa que os faça sentir menos cúmplice de toda a destruição e devastação e idiotice do mundo.
As pessoas deveriam ser mais infelizes que eu.
As pessoas deveriam ser mais que eu.

As pessoas se colocam em fila e se submetem a humilhações diárias em filas de banco, ônibus lotados e sol escaldante.


Monstrinhos em fila!

No meu tempo havia uma competição para ver quem seria o mais bonito, o mais sarado, o mais rico, o mais popular. Acho que hoje, nada mudou, apenas o objetivo do jogo foi invertido. Ser “você mesmo” hoje é um requisito tão importante que em qualquer sinal desvirtuamento você será o perdedor e o excluído.

Pensem bem se isto está valendo a pena.
Aparentemente segregar faz parte da natureza humana. É triste.

Eu prefiro copos de cerveja do que gente na grande maioria das situações.
Fim.

Wednesday, March 16, 2011

10 coisas que você não sabia sobre ser gay.

Eu realmente não sei o que os heterossexuais pensam que gays fazem em uma festa. Acho que eles pensam que nós brincamos de atirar vibradores no cu dos convidos. A pessoa que acertar mais ganha o direito de contrair HIV de um senegalês chamado N’tutu nakau que veio para o Brasil correr a corrida de São Silvestre, perdeu e nunca mais teve dinheiro para pagar a passagem de volta.

Quando um pai diz a um filho que esqueça que ele existiu porque ele não admite um filho viado eu realmente fico pensando se as coisas estão indo no caminho certo. Espero ao menos que terminem bem.

Hoje eu odeio as pessoas de uma forma tão absurda que sinto uma leve dormência nos braços quando elas aparecem ou pior: me ligam. Eu deveria odiar o inventor do telefone, não fosse o fato de que ele inventou um monte de coisas legais que acabaram resultando na internet, então tudo bem.

Não esperava que as coisas terminassem como terminaram. Pessoas dizem as coisas mais terríveis quando descobrem que você é gay. Algumas indicam um ótimo local para você fazer um exame de HIV, outras dizem que acha tudo bem desde que não seja assim ou assado, ou daquele jeito; ou seja: desde que não seja.

Eu tentei dizer para a Lady GaGa que eu nasci assim, mas não queria glitter nem era um monstro, mas ela não me ouviu. Uma pena. Nada contra quem quer glitter e chifre na cara by the way. Só que eu não queria.
Sabia que gays não podem doar sangue? Pois é. A maioria das pessoas não sabe.
Sabia que a votação sobre o casamento gay já foi adiada 3 vezes? Pois é.
Agora se você for falar mal da (insira uma cantora pop aqui) os gays vão reagir como se você tivesse dito que come placenta, que Jesus era traficante e que o holocausto foi um carnaval fora de época.

O que eu quero dizer é.
Cabe a nós mudar a imagem que as pessoas tem da comunidade homossexual. Cada um de nós tem que fazer um esforço e ao invés de simplesmente bater no peito, twitar “nasci assim”e sentar no sofá, faça tudo isso, encha a cara de glitter, mas trabalhe o dobro, estude o dobro, se esforce o dobro para que possamos mostrar que somos apenas pessoas tão confusas quanto qualquer um.

Quem sabe assim, num futuro nem tão distante, quando um filho disser que nasceu gay o pai pense que está tudo bem (porque está mesmo) e queira fazer parte da vida do filho.

Wednesday, March 09, 2011

Eu quero ser arte moderna.

Dizem que os olhos só vêem aquilo que querem ver.
Eu acredito que os olhos da grande maioria só vêem aquilo que é facilmente entendível, simples, medíocre.

Para a grande maioria das pessoas, tentar “ver além” é um grande esforço. “Ver além” daquilo que é mostrado é algo difícil demais para que as pessoas queiram tentar.

Pessoas querem ser algo simples, para que outras pessoas queiram tentar.
Pessoas querem ser “apenas” enquanto eu quero ser mais.
Pessoas querem ser a poesia mais simples, a frase de efeito qualquer, o desenho mais simplificado.

Eu quero ser arte moderna, livro difícil, eu quero ser metáfora, quebrar sua cabeça, fazer você pensar, pensar em desistir, querer fumar. Eu quero ser algo que você tenha que ler, reler e fazer anotações.

Eu não me contento com o pouco e nem em ser pouco.

Eu te assusto.

Eu já li mais do que a maioria das pessoas lêem em uma vida. Eu já vivi mais do que você viverá. Eu já senti coisas que a maioria das pessoas não se permite sentir.

Eu não me contento com pouco.
Eu serei o enigma que diz “decifra-me ou te devoro”.

Já devorei mais pessoas do que você jamais conseguiria imaginar.

Sunday, February 27, 2011

Eu sou.

As verdades sobre mim não são nada bonitas.
Os personagens já infinitos agora se desonhecem, as personalidades entraram em conflitos, é anunciado o bug do milênio; dimitri entra em cena.

O carnaval enche o país de uma felicidade que não é a minha, em tempo: quatro dias de folga, cerveja e cigarros, se Deus quiser me lembrarei de correr e não viro uma almôndega.

Joker smile on my face.

Nada é meu. Algo, neste mundo precisa voltar a ser secreto. Preciso de segredos, preciso de mistério. Preciso que alguém precise me descobrir.
Vamos encher o mundo de dúvidas de novo.

Hoje, se você quer aparecer, seja completamente normal. As pessoas ficarão confusas e se perguntarão o que aconteceu com você. Não se vista de nada, não use maquiagem, apenas leia e saiba francês (sempre bom para emergências, um dia você vai precisar)

15 anos depois estarei raquítico e barbudo. Me encontrarão nas montanhas, usando farrapos e me alimentando de insetos, frutas, chá de ervas e pequenos animais. As pessoas farão perguntas e eu não saberei respnder. A luz machuca meus olhos e eu só quero dormir.

Nada disso importará nas montanhas. Apenas eu e os animais. Não sei se levarei livros ou um violão. Acho que eu me basto.

Hoje todas as pessoas estão voltadas para fora. São pequenos fragmentos se espalhando pelo mundo em bilhões de bits encriptados pelo mundo da web. As coisas ficaram confusas para o nosso pequeno herói.

Não me lembro da última vez que conheci uma pessoa que simplesmente queria ser alguém na vida. No meu tempo isso era bom, hoje já não é mais nada. Ser alguém hoje em dia requer um grande sacrifício e muitos seguidores.

Lutem por suas cantoras falsas e esqueçam seus ideais! Continuem achando que poucas coisas são o bastante para assegurar sua dignidade. Continuem, não nos importaremos.

As verdades sobre mim estão ocultas.
Ninguém sabe quem eu sou, apenas um personagem me resta.
Ninguém mais quer descobrir as pessoas. Parece ser muito esforço.
É preciso ser um enigma se você quer que te resolvam.
É preciso de mistério se você quer que te imaginem.

Sem mais.

- Dimitri Navarro.

Monday, February 21, 2011

If I said I want your body...

Would you hold it against me?

Monday, September 13, 2010

Mr. Dj

Existe um momento em nossas vidas onde teremos que fazer escolhas, escolhas as vezes nada fáceis, por exemplo: Como escolher entre alcóol e dignidade? Sabemos que não podemos ter os dois, é muito dificil. Então escolhi o alcóol.

Recentemente tive que escolher entre uma vida amorosa e coreografias. Bem, eu sei a coreografia de "Vogue" e estaria louco se desperdiçasse isso. Resolvi dançar mesmo que isso significasse morrer sozinho. E muitas vezes significa.
Muitas coisas significam morrer sozinho.

Fiquei com o alcóol, a coreografia de vogue e dinheiro. Dinheiro compra felicidade; é um fato.

Enquanto enchia meu copo uma porra de um Dj pulou na minha frente com óculos escuros iguais aos da Lady Gaga. Jamais a perdoarei por fazer as pessoas acreditarem que elas podem usar óculos escuros a noite. Ninguém pode.
O Dj pulava e parecia apenas uma joaninha muito bicha e ligadona. Nada bonito. Eu não acho que Djs deveriam pular no meio do povo. Nunca. Mas resolvi aproveitar o momento para pedir a minha música preferida.

"Querido Dj: Meu ex namorado deve ter emagrecido uns 10Kg e ficou lindo. Ele está aqui com o antigo namorado para quem ele resolveu voltar depois de ter dito que estava apaixonado por mim, eu não sou uma pessoa boa, mas não acho que mereça isso. Fui dispensado por dois homens por saber a coreografia de vogue e gostaria de ouvir Get outta my way, pois, também sei a coreografia desta e acho que estou precisando".

E então, o meu pedido foi a próxima música a tocar.

E eu dancei com a garrafa na mão. Uma garrafa muito grande, pois eu descobri que pedindo garrafas sai mais barato do que pedindo copos.

Eu sou muito alto e não deveria dançar nunca. Mas dancei como se não houvesse amanhã! Dancei e foi muito triste, mas meu Deus como foi bom!

Então de repente foi bom que o Dj estivesse no meio do povo pulando.

E também foi bom que algumas pessoas tenham que fazer escolhas.

Talvez eu não morra sozinho, mas por enquanto eu quero coreografias, alcóol e dinheiro.

E muito obrigado Dj Joaninha. Você salvou uma alma.

Sunday, September 12, 2010

Dominical.

PÉÉÉÉÉÉÉ´

“Seu ex namorado perdeu dez quilos e está com outro”. Estas palavras apareceram num enorme telão por trás de mim, o som do botão foi seguido por um sonoro “ooooh” vindo da platéia e do apresentador em uníssono.

“Di-mi-tri” Disse o apresentador, com um tom de lamentação e um sorriso no rosto, acho que para manter a alegria do programa. ‘Poxa Dimitri, você perdeu! Que pena”. Foi então que vi os números do meu placar virarem três zeros grandes e vermelhos.

E a platéia: “oooooh” mais uma vez.

“É o fim do jogo pra você. O que você acha que te atrapalhou?” me perguntou o apresentador, usando um blazer, uma camisa de gola V, jeans e tênis.

Eu não soube o que dizer. Realmente não soube o que me levou a perder todos os pontos que havia acumulado até então. Fiquei nervoso pensando no que iria dizer para os meus amigos e a minha família, Como explicar tamanha falha? Eu estava tão confiante, tinha certeza que tudo daria certo.

Pensei e então resolvi responder: “Acho que não era pra ser, né?”.

O apresentador passa os braços por cima dos meus ombros e olha para a câmera. “Não foi a vez do Dimitri aqui, mas se você quiser tentar a sorte se inscreva no site...” Lembrei de manter um sorriso enquanto ele dizia isso.

“Mas como você sabe, Dimi, ninguém sai do programa com as mãos abanando”.

A platéia vibra.

Duas morenas seminuas trazem o meu prêmio de consolação: Uma mesa de bar com um otário, também trajando uma gola V e um sorriso idiota, uma garrafa de cerveja e um maço de cigarros.

Forçando um sorriso me sento na mesa de consolação enquanto o otário nos serve cerveja.

O apresentador então fica em primeiro plano e começa a encerrar o programa, se despede da platéia e do publico em casa, a câmera me filma na mesa idiota e depois vai se afastando revelando o cenário do programa e a platéia que bate palma.

Enquanto as luzes do estúdio vão se apagando eu acendo um cigarro e penso “poxa, ele realmente emagreceu bastante”.

E então tudo acaba.
E até a semana que vem.

Friday, September 10, 2010

Sexo.

Sexo.

Sexo não tem nada a ver com amor, a não ser que você queira que tenha.
Sexo pode ter a ver com prazer, ou com dor, você que escolhe.

Acredito que fazemos sexo porque nos amamos, nos gostamos, nos desejamos e nos masturbamos. Faço sexo apenas por mim mesmo. Está como sangue para um vampiro, como sol para uma planta e como um belo par de sapatos para qualquer mulher que se respeite.

Se você faz sexo só para agradar, melhor começar a fazer tricô. Eu nem tenho paciência.

Neste exato momento, escolho a roupa ideal para ser tirada. Temos que pensar em tudo, e eu, como bom narcisista egocêntrico e ninfomaníaco, gosto que tudo seja meticulosamente calculado.

Antigamente ele era um estranho, hoje já passou a ser conhecido. Sei bem que não sei o nome dele, sei bem que não sei o que ele faz da vida. Sei apenas que ele tem um pau enorme e que é uma das poucas pessoas que conseguem me satisfazer.

É preciso achar alguém que dê conta de você sexualmente. Eu demorei, até que achei Y. Ele dá conta de mim. Ele tem um fogo quase tão alto como o meu, mas sempre que abro a porta do carro dele e me deparo com aquele sorriso idiota e com aquelas bermudas que ninguém deveria estar usando, eu me deparo também com a realidade.

Eu preciso de sexo, eu preciso de dor, eu preciso de sujeira. Eu preciso esquecer o quanto que eu trabalho, eu preciso esquecer que eu compro a minha algeria com receitas azuis, eu preciso esquecer que o Dr. Olhos verdes me disse que era tudo normal. Eu preciso beber, mas a minha alegria sintética não me permite.

De quatro, olhando para uma cama que não é a sua, você sente uma dor latente te invadir, você sente vontade de gritar como um animal, aquilo tudo parece muito grotesco, mas você não vê. A dor vai virando algo bom e você se encontra exatamente no lugar onde imagina merecer estar.

Puta! Você é apenas uma putinha e durante alguns minutos, tudo o que você quer é poder se definir em apenas um adjetivo, nem que seja o pior deles.