Sunday, February 15, 2009

O estagiário.

Cuzãozinho estava beirando os 30 anos, mas já era considerado um profissional de sucesso. Como qualquer outra bichinha, o sonho de Cuzãozinho na adolescência era ser influente. Toda bichinha sonha em ser influente, de todas as maneiras. Algumas querem ser escritores, algumas querem ser cantoras pop, algumas querem ser a Madonna, algumas juram que são. A grande maioria só quer ser alguém na night e ter as roupas mais legais que fazem as pessoas inventarem coisas sobre a sua vida. Com ele não foi diferente, porém seu sonho era ser citado. Queria ser o foda.
Sabendo ser cuzão mais do que ninguém, nosso herói resolveu estudar publicidade, claro! Era o aluno mais foda, o aluno que questionava, que fazia os trabalhos e que se inscrevia em concursos. Sempre se dava bem com seu olhar de desdém para os outros competidores, lá em cima, com humildade falsa, agradecia a todos.
Agora cuzãozinho já era foda. Trabalhava como designer, tinha feito pós graduações com todas as siglas que se pudesse imaginar.
Apareceu na cidadezinha com óculos de aro grosso, que considerava essenciais e ainda lhe davam um ar de superioridade anal e inteligência. Apareceu com um notebook e uma camisa italiana com as mangas dobradas. Um jeans surrado e tênis lhe davam um ar jovial que ele mantinha porque era cuzão, fora isso, para dar em merda, ele tinha um piercing, que era a sua forma de dizer “ninguém manda em mim”.
Cuzão e inteligente até o fim, se manteve sentado na mesa de reunião apresentando seu trabalho com mil palavras chave e citações de vários autores importantes no mundo da publicidade e design. Falava como se estivesse falando que aquelas outras pessoas não prestavam. Mostrava o seu trabalho como se estivesse esfregando uma pica de meio metro na cara daquelas pessoas. Suas putinhas intelectuais.
Este era o seu momento.
Porém diante de toda a sua glória ele percebeu que um dos estagiários estava mais entretido com um desenho que fazia em seu caderno. O desenho mostrava um corpo dilacerado, várias partes em pedaços diferentes da folha de papel. Com sangue por toda parte. Cuzãozinho ficou fascinado com aquilo, mas pensou seriamente naquilo como sendo uma afronta. Como pode aquele reles estagiário não estar babando com suas palavras e suas citações e seus óculos de aro grosso e cabelo estrategicamente desarrumado.
Foi então que no fim da palestra ao perceber que o estagiário apenas enfiou o caderno em sua mochila ligou o seu mp3 player e estava indo embora, resolveu conversar com ele. Perguntou o que ele tinha achado da apresentação, ele respondeu simplesmente “legal”. Isso irritou Cuzãozinho ainda mais. Foi então que Cuzãozinho iniciou uma maratona de palavras técnicas, citações, nomes de livro e designers famosos, o estagiário nem ligava. Depois de muita conversa foram para um bar. Ele continuou falando e o estagiário parecia se importar muito pouco. Bêbado, Cuzãozinho começou a dar em cima dele descaradamente. Iria transar com ele para compensar sua falta de interesse. Conseguiu sem muito esforço. Foram para o seu quarto de hotel cinco estrelas.
Lá, o estagiário simplesmente tirou as roupas sem muita graça e começou a beijar e tirar as roupas de Cuzãozinho. Começou a brincar com um dedinho, Cuzãozinho se impressionou com a beleza do rapaz e também com o tamanho de sua pica que fez questão de abocanhar. Num 69 estilizado, ele chupava o pau do estagiário, enquanto este, lambia o seu cu fazendo-o gemer baixinho e ritmado. Nunca ninguém tinha lhe dado tanto tesão.
Ficou de quatro enquanto o jovem colocava a camisinha. O estagiário lhe agarrou pelo rabo, posicionou aquela pica e meteu lá dentro devagar. Uma dor. Uma dor boa, que dava tesão, que dava prazer, sentia ele lhe penetrar, cada centímetro o deixava louco. Depois que ele enfiou tudo foi mexendo devagar. As pernas de Cuzãozinho tremiam.
O estagiário não emitia sons mas o agarrava bem forte. Ele gemia num misto de dor e prazer que o fazia delirar. Sentia aquela pica entrando forte no seu rabo, olhou para trás e sentiu raiva ao perceber que o estagiário nem mudara a expressão. Não era frieza, era apenas o jeito dele. Metia forte e compassado.
Como podia ele não saber quem ele era? Como podia ele não se importar com tudo aquilo que ele dissera? Olhou para trás e disse “mais forte”. O estagiário obedeceu e meteu-lhe com tanta força que fez com que Cuzãozinho caísse de bruços na cama, o estagiário o segurou- o pela perna e começou a meter mais forte e mais rápido. A posição se parecia muito com um carrinho de mão. O estagiário meteu forte e gozou. Não gemeu, fez um som baixinho e se contorceu. Ali, naquela posição, com as pernas levantadas pelo braço do estagiário, Cuzãozinho se sentiu uma poodle de lacinhos.
O estagiário tirou a pica de dentro, tirou a camisinha e jogou no chão. Deu-lhe um beijo, deixou o MSN, não disse muita coisa, apenas se vestiu ligou seu mp3 e se foi.
Ao recolher a camisinha cheia de gozo no chão, Cuzãozinho percebeu que quando estamos de quatro, somos todos iguais.

20 comments:

Jarbas said...

[engoli seco, pensa no que escrever]

é, eu nunca dou de quatro!


[risos altos]

Mauri Stern Boffil said...

realmente... de quatro todos somos iguais! E... outra: Se estamos num ambiente com 8 homens, 7 deles te dão atenção e um não, vamos nos atrair justamente por aquele que não nos deu atenção.

Beto said...

"poodle de lacinhos" é o melhor!!!

Já me senti assim!!! mas já se passou um tempo!!!
rsrs!


beijão!

Zephyr said...

hahahahhah.
genial !

:D

Gay Alpha said...

poodle arrasou!!!
vc é ótimo! acredite!
abraços!

Menino da Lenda said...

Quando mais alto vc acredita subir, mais foda será a queda!

Cais da Língua said...

hahaha...
você falou, tá falado!
ah... eu leio muito lispector e fernando Pessoa.
=D

Râzi said...

Caralho!!!!

Seu conto expressou exatamente o que eu estava pensando ao ter lido um post que não me agradou muito!

Realmente, somos todos iguais! E a busca por coisas que nos diferenciam dos outros, muitas vezes, mostram o tamanho de nossa mediocridade, seja uma citação, uma marca de roupa ou um gosto musical ou literário.

Perfeito, seu conto!

Parabéns!!

Já gostava do que escrevia, agora passei a gostar muito mais!

^^

Beijão!

Mauri Stern Boffil said...

Ei, deixei um negocio pra vc la na katana

Fábio said...

kkkk muito bom!kkk

Rafael Morello said...

Eu vou te confessar uma coisa: tenho acho sexo um tanto quanto patético nos últimos tempos. Sério. Esta coisa de posições, e palavras esquistas, e gemidos animalescos.. tudo meio canastrão. Como diz aquela música "uma selva de epiléticos". Mas acho que a natureza deve ter feito de propósito só para deixar bem claro, num dos momentos de maior prazer de um ser humano, o quanto somos de fato ridículos. Belo texto (como sempre). Bj

ARCANO said...

Adorei, divertiu meu dia :D

alvarêz drewïzqe said...

hahaha história foda, tipo um Bukowski homo. Doidera.

Alan said...

Quem pode manter a "pose" quando está entregue aos seus instintos mais primitivos, não é? Adorei a crítica aos "Cuzãozinhos" da vida, tão presente nesse mundinho gay (eno mundo inteiro, aliás)...Seus textos são geniais. Sempre.


Abs!

Extase said...

raivoso e criativo

darsh. said...

nunca ouvi falar de Snatch (vou procurar!), mas Clube da Luta é demais!

ps.: seu blog é hilário :P

Goiano said...

kkkkkkkkkkkkkk
eu adorei
to adorando os textos
agora te quero como marido de novo?
vamos esquecer odivorcio?

JOÃO said...

muito bom o conto!!! (é um conto? rs)

um cara legal... said...

amigo...
tu é simplesmente demais!!!

Thiago said...

hahahaa cuzãozinho gostou da coisa :P