Sunday, May 15, 2011

My city is my bitch and I fuck her from behind.

Eu faço o que posso to fit in, mas as coisas andam um pouco confusas nessa nova geração.

Pessoas inteligentes fingem que são sentimentais e acreditam no amor, mas preferem barrigas de tanquinho e cus apertados.

Existe uma febre de auto estima acometendo o mundo, eu, que nunca tive muito respeito próprio não sei bem como agir quando todas as pessoas tiveram acesso a redes sociais e podem postar fotos oficiais do look da balada de hoje, e flyers para festas de aniversário (lembrar de fazer um para mim) mas não consigo parar de pensar que um flyer para uma festa de aniversário é a coisa mais idiota que poderia acontecer na humanidade.

As pessoas se acham tão importantes que um simples aniversário agora é um mega evento que merece atenção e holofotes.

Dia desses uma dessas peruas foi a um cabeleireiro e não pagou nada, pegou roupas em uma loja e não pagou nada, tirou fotos com um fotografo e não pagou nada. No fim do dia, ela colocou a foto no facebook, com links para os sites da “produção do look” e um convite para o lançamento de um blog de moda.

Eu me pergunto o que aconteceu.

Mais um blog de moda e o fim se aproxima cada vez mais. E de repente as pessoas tem dinheiro para fazer grandes festas para o lançamento de um blog que se faz de graça que ninguém vai ler. Ninguém lê blogs, as pessoas só beijam as bucetinhas alheias com comentários e declarações de amor bobas. “Amo você” é o novo bom dia e depois dai é só queda.

E então eu percebo.
Eu sou jovem demais para ser tão velho e rabugento. E dai que a vadia quis fazer uma festa? Se eu pudesse eu também faria!

Então, num rompante de felicidade e um sentimento que me aquece eu, Dimitri Navarro, coloco meus coturnos, passo na banca mais próxima, compro uma carteira de cigarros e depois pego um ônibus na minha cidade capital interiorana e provinciana, onde a única esperança é encher a cara.

A gente faz o que pode to fit in.

A gente, sai a gente bebe e a gente até mesmo compra coturnos. Eu tenho uma certa tara por coturnos. Coturnos, tatuagens e alargadores em mim e no mundo, mas nesta cidade do Texas as pessoas te olham feio.

Eu não ligo. A Lady GaGa uma vez disse que eu poderia ser o que eu bem entendesse, eu realmente a odeio, a culpa pelo boost de auto estima que acontece no mundo é em parte dela, mas pensando bem, hoje, tudo o que eu quero na vida é ser um filme francês.
Eu tenho tudo que preciso nos meus bolsos: Cigarros, celular com bônus, algum dinheiro oriundo da recisão do contrato com o jornaleco, e uma imensa e súbita vontade de viver.

Viver! Viver e foder a vida por trás! Infelizmente nesta cidade que pode até dar para você, mas que depois te pisa e te humilha e ri da sua cara e diz coisas ruins e espalha boatos sobre você. Viver infelizmente neste mundo onde nós competimos por status e retweets, mas viver!

Me dê um bom lugar para dançar e cerveja e eu estou pronto! Eu tenho tudo o que tenho nos meus bolsos! Eu bato os meus coturnos duas vezes e de repente, Totó, I don’t think we’re in Kansas anymore! Eu posso ser o que eu bem entender e eu posso estar onde eu quiser hoje a noite. (sim! Eis o tamanho da minha vontade de viver). Hoje eu sou um filme francês e minha cidade é Malibu! Deus como eu queria uma guitarra para me fazer ainda mais poser do que antes!

Quem sou eu com um coturno e uma guitarra imaginária? Eu sou um jornalista / bichinha fudida, Britney is my goddess e eu quero ser um filme francês! Eu juro por Deus que se eu pudesse eu usaria jaqueta de couro, óculos escuros não, pois já é noite e óculos escuros de noite é um sinal de desespero até mesmo para mim.

Esqueçam tudo o que eu disse. Hoje eu só sou um filme francês.

As opções: O meu bar e depois o lançamento do blog de moda da putinha. Com sorte alguém tocará uma música que preste e a cerveja vai estar gelada. A coisa sobre a minha cidade é que se te convidarem para qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, aceite. Talvez seja a sua única chance de que algo divertido aconteça. Não desita nunca.

Somos recordistas em analfabetismo e no número sempre crescente de assassinatos de jovens a mão armada. Isso não significa que você não deva sair de casa e com certeza um recorde levou ao outro.

A gente faz o que pode para fingir que está tudo bem.

A cidade está difícil distante e fria hoje. Por mais que você tente a cidade sempre dá um jeito de se esquivar, “parece que vai ser você e a sua mão mais uma vez meu querido, ela diz”. A cidade não te dá oportunidades, não te dá opções não te faz amor, mas é linda como uma filha da puta e a vantagem que vem da frieza e do medo do futuro é que todos bebem. Todos tem um âmbito desesperador de viver. A gente bebe porque é o que tem para hoje e amanhã e sempre. E não pense que isso é ruim! No way!

A cidade é desesperadora como esperar por um ônibus num sábado a noite chuvoso. Você espera, espera, e tem medo e com sorte algo de bom vai sair disso. Algo de bom vai acontecer depois que você entrar naquele ônibus, meu querido!

É a minha esperança e a de milhares de outras pessoas que como eu vivem na espera de que um dia, você tenha algo interessante para contar.

6 comments:

hpaulista said...

Como assim ninguém lê blogs?? Eu leio o seu!! :)

Antonio de Castro said...

o jeito pode ser fugir da cidade.

eu, sinceramente, admiro seus textos. vc não tem escrito com muita frequencia, mas quando faz... faz!

a referência à Lady Gaga, a visão política dessa tal cidade, a violência do jovem, a instaisfação, Oz.

é a gente nessa estrada de tijolos amarelos.

 Rodrigo Menezes said...

Gostei do jeito como você escreve e do jeito que você bombardeia o teu leitor com referencias inesperadas e variadas.
Adoro isso num texto, a sensação de desnorteio que dá e depois ficar juntando os pontos e lendo tudo de novo. Muito bom! :)

Eu amo a cidade. Mesmo ela me fodendo na maior parte das vezes. Meio que acredito nela ainda.

um cara legal... said...

essa autoestima está matando nosso planeta...

um cara legal... said...

opa, acho q autoestima não entra na nova regra neh?
q mania essa minha de intelectual...

Leo said...

Texto foda! Parabéns!