Friday, April 01, 2011

Sobre o amor. Ou uma xícara de café.

Há tempos venho tentando escrever algo sobre o amor, sem que soasse brega ou ressentido demais. Algo que fosse claro, sem que minhas emoções entrassem no caminho e estragassem tudo, mas como escrever sobre o amor sem que as emoções entrem no meio do caminho?

Quando se tem 17 anos e alguns quilos acima do peso, fica difícil acreditar que o amor não seja simplesmente uma grande merda inventada por grandes empresas no intuito de vender: Filmes, cartões, roupas, cds, livros, bijouterias, sapatos, chocolates, vodca... Qualquer coisa.

Quando eu tinha 17 anos e os meus cabelos batiam nos ombros e eu estava acima do peso e ninguém me queria eu culpava o amor por quase tudo. Era bom as vezes. Era bom me trancar no quarto e ouvir Coldplay, (e achar que isso me faria uma pessoa melhor que as outras) e chorar e escrever e desenhar e dizer “O amor é uma grande merda!” ou, a clássica eterna, sempre melhor: “Love is suicide”. Não consigo te dizer quantas vezes eu escrevi isso no braço.

A gente cresce e o amor não vem.
A vida, infelizmente não é da Disney e ninguém sabe cantar aquela música que você sempre quis cantar. Ninguém tem saco para coreografias e o ônibus está cheio.

Uma das grandes verdades da vida é que você nunca para de se masturbar. E eu falo isso porque durante muito tempo, amor e sexo para mim eram a mesma coisa. Acho que você pensa isso até que alguém te foda nos dois sentidos e você perceba que está na hora de comprar acessórios.

Então veio o vazio.

Para alguns o vazio foi bom. Houve sexo. Houve muito sexo. Houveram drogas e um momento charmoso com cigarros. É uma pena que não tenham inventado um cigarro que não te deixa com cheiro de cigarro. É verdadeiramente uma pena. Cigarros são uma boa companhia. Mas são mais como aqueles amigos que sempre roubam um pouquinho da sua carteira. Ouviram isso crianças? Se você fumar, dinheiro vai sumir da sua carteira. E você vai ficar broxa. Enfim.

Houve o vazio. E então o amor é o nada.
E você diz para pobres criancinhas que o papai Noel não existe, que o amor não existe e que ser bissexual é uma grande mentira. E de repente você tem uma fila de criancinhas boquiabertas querendo saber mais e você não pode dizer porque o segurança te convidou a se retirar do local e você vai buscar uma xicara de café ou algo assim. (Eu teria escrito “algo que o valha, mas eu sempre me sinto estuprando ‘O apanhador no campo de centeio’ quando faço uma merda dessas).

Quando você tem 20 e poucos e menos quilos a mais o amor se torna algo distante para o qual você não tem tempo. Apesar de que você tem tempo para twittar, escrever, se masturbar (você nunca para), caminhar, malhar, beber, beber, beber, fumar, escorregar na calçada de um prédio de nunca mais conseguir fazer a nota ré menor no violão, já que você é um imbecil e machuchou o dedo na queda. Será que eu seria bom no violão?

O amor foi para as cucuias. Minha carreira de músico também. Ok, ela nunca existiu.

Quando o amor para de existir é um pouco preocupante para o seu gosto musical. Ao menos foi para mim. Quando meu coração virou pedra eu desisti de bandas boas e letras sentimentais e troquei por batidas pop e letras safadinhas. Bye bye rock’n’roll, hello anos 90! De repente eu adorava a Janet Jackson e isso era normal.

Foi-se um ano. Dois anos...

O que quero dizer aqui é que o amor é sim uma grande merda. Ou uma mega diversão. É como montanha russa. Tem gente que ama, tem gente que tem medo.

O amor é exatamente aquilo que você faz dele. Se você quiser que ele seja um pastel de carne ele assim o será. (Ok, talvez não tanto, mas se você conseguir me avise).

Talvez o que você esteja sentindo seja raiva. Talvez seja paz. Talvez seja tristeza, quem sabe um resfriado... Mas não desista. Talvez ele apareça. Talvez o amor seja o seu disco preferido ou um celular com tecladinho. Ou botas, ou um bolo com recheio de chocolate, cobertura de chocolate e pedaços de chocolate (talvez isso seja Deus).

Eu não sei o que é o amor então vou parar de escrever por enquanto.

Talvez o amor esteja batendo na minha porta.
Talvez eu precise de uma xicara de café.

Mas a grande verdade do mundo, é que nós vamos precisar de acessórios. Em qualquer estação.

4 comments:

Leônidas said...

Na verdade aquele que falar que sabe "o quê é o amor?" descobriu a chave motriz do universo, as vezes, pensamos que o amor está conosco,no entanto eram apenas imensas sensações de pura satisfação.Sei que tomar café é bom, chocolate imensamente bom, ter sexo muito bom! Mas tomar café com você, comer chocolate com você e fazer amor com você é imensamente melhor. Falar em amor é cedo, porque nem sei o que é ao certo, mas sei o quanto é imensamente bom e puro te ter ao meu lado! Adoro você e estou cada dia mais e mais apaixonado por você!! Léo

hpaulista said...

Eu permaneço, como nos acessórios, no clássico: o amor é uma mentira (é mais realista, mais prático, mais clichê).
abç

Cocada.g said...

É não possa falar sobre esse senhor amor,,, porq nunca o vi! Mas ainda me sinto com esperanças, e quanto a acessorios acredito que a gente necessita sempre de um plano B, ou C ou D etc...

Abraço@

M. said...

Vou imprimir esse post e colocar na porta da minha geladeira.