Saturday, May 15, 2010

O começo do novo fim.

Já estou há 15 minutos na sala de espera do Dr. Gostosão e ele não chegou ainda, estou assistindo o programa da Ana Maria Braga e não achando ruim. Cigarros são a única coisa que eu penso.

Não acho ruim quando ele chega atrasado, porque ai eu poderei seguí-lo escada acima, com aquela bunda fantástica na minha cara.

Dr. Gostosão mandou que eu escrevesse todas as coisas que me afligem, ou que eu ache que seria interessante falar, durante toda a semana. Durante um tempo eu escrevia sobre as minhas alterações de humor, quando eu estava eufórico deixava quieto, mas quando eu estava com vontade de morrer mandava uma mensagem para mim mesmo com o horário em que eu percebi que queria morrer e alguma inscrição engraçada, pois, quando eu quero morrer fico muito engraçado; mas ai as alterações de humor ficaram tão frequentes que eu gastei o saldo do meu celular.

Nesta semana eu não tinha muita coisa para falar. Anotei num pedaço de papel “2012” e fui pegar o ônibus.

Eu realmente ando achando que o mundo vai acabar. Os sinais são claros e na verdade eu estou torcendo para que acabe, o problema é: O que eu farei até lá. Eu queria uma confirmação; se o mundo vai acabar mesmo é melhor parar de enrolar e mandar o Obama dizer “Fudeu negada” e mandar a gente correr para um lugar seguro, mas eu, estarei de cueca em cima de um dos carros abandonados pela população, bebendo muito e ouvindo Britney Spears.

A bunda do Dr. Gostosão chegou e eu a sigo escada acima. É lindo ver a bunda dele subindo a escada, primeiro um lado, depois o outro, posso jurar que aquela bunda está sorrindo para mim.
Ele fica indignado que eu esteja torcendo para o mundo acabar, mas eu simplesmente não ligo, falo pra ele que ando um saco, sem paciência para nada e muito menos ninguém, que minha mãe quer me medicar, que ela acha que eu estou louco, que meu pai sabe que eu sou louco, que eu ando quebrando coisas em casa e que eu não aguento mais ver mulher berrando por causa de barriga de tanquinho como se fosse grande coisa.

Dr! Dr! Tá tudo errado Dr! As pessoas não ligam mais pra nada! Todo mundo quer a mesma coisa e eu me fudi preso aqui, no desejo dos outros! Dr. Eu não quero muito dinheiro, eu não quero dois carros na garagem, eu não quero filhos, mas as pessoas acham que eu tenho que querer isso tudo.
E todo mundo quer sempre demais e fudeu, eu só queria que as pessoas parassem de mentir, dizendo que querem alguém inteligente. Elas não querem, elas querem um pau grande e uma barriga reta, então NÃO VENHAM DAR EM CIMA DE MIM quando é tão obvio que...

O quê? Respirar? Sim... Ok... Respiremos.

Se eu estou fazendo exercícios fisicos? Sim.

Se eu estou bebendo? Sim. Mas não era pra beber? E eu vou fazer o quê, Dr? O quê? Eu juro que tento, mas foi você mesmo que disse que eu tinha que começar a sair mais e me divertir e encontrar pessoas e sabe do que mais? Eu só encontrei um bando de estúpidos que continuam a me julgar, tá tudo a mesma coisa, só que agora parece bem pior.

Silêncio.

Dr. Gostosão simplesmente me olha feio por um tempo e eu nunca o achei tão bonito. O peitoral fantástico dele então me diz:

“Dimitri, tenha calma. O mundo não vai acabar, ninguém está nem ai pra porra da sua barriga, respire e pare de pensar nisso”.
O peitoral foi bastante claro.

Eu sempre saio meio anestesiado do consultório. Ele me disse para tentar as coisas antes de desistir delas, e que portanto, não desista das pessoas sem antes testar, mesmo as pessoas que tem namorado. Segundo o peitoral eu não posso me afastar das pessoas só porque as namoradas deles são um pé no saco.

Eu não sei ser adulto.

E ninguém nunca se importou com a minha barriga esse tempo todo! Mas que merda! Tanto tempo perdido e tanta coisa não comida para perceber que ninguém nunca ligou de verdade, só eu. Rompantes de consciência nunca foram meu forte e eu já vou estar obcecado com forma física daqui a cinco minutos.

Então 2012...

2012 vai ser muito bom e eu vou conhecer o amor da minha vida em 2012, e eu acho que realmente tem alguma coisa acontecendo pela quantidade de terremotos, então, quando eu for beijar o amor da minha vida, vai vir aquele terremoto enorme, e depois um tsunami enorme e todos vão correr loucos e uma BALEIA vai vir voando e vai acertar o meu amor na cara e eu vou gritar “nããão” e a câmera vai se afastando e exibindo o caos.

De repente uma explosão enorme, tudo fica escuro e aparece a palavra

FIM


E sobem os créditos ao som de uma música do bom Jovi, e foi o fim do mundo e as pessoas se levantam do cinema. Os mais legais vão dizer “que merda” e os mais chatos vão se reunir na casa de uma lésbica para beber e discutir. Depois alguém vai comer alguém que não devia ter comido e todos os filmes de todas as vidas vão acabando e você tem que escolher entre ser legal e não dar a minima, ou ser uma lésbica que vai acabar sendo mal comida.

1 comment:

hpaulista said...

Cara, eu adoro seu texto!! vc é incrível!! eu nao consigo parar de ler!
mas eu detesto saber que vc sofre... :(
nossas dores sao parecidas, e eu fico com uma invejinha boa por nao saber me expressar como vc.
abç