Wednesday, January 28, 2009

703: Lost People

Aquele sábado à noite me pareceu tão promissor quanto todos os outros sábados a noite me pareceram antes dele. Uma esperança besta de que algo de excepcional vai acontecer e acabar com o tédio.
A cidade de Maceió não te dá muitas oportunidades de dias promissores. Todos sabemos exatamente pra onde vamos, com quem vamos e o que faremos. Eu sempre saio com os meus amigos para o bar que estiver mais cheio de gente, de preferência gente bonita e de preferência que dê pra pegar; afinal de contas é isso que se faz numa cidade sem vida cultural, quase parada no tempo e com perspectivas aterradoras. Bebe-se para não perceber e se come alguém para disfarçar.
Não fosse por álcool e sexo, acho que dois terços da população da cidade já teria:
a) Se mandado.
b) se matado.
c) Todas as anteriores, na ordem óbvia.
Aquele sábado em particular me pareceu promissor porque pelo menos neste, eu acordei com uma puta vontade de ignorar tudo o que acontece, ou não acontece a minha volta.
Não é preciso ligar para combinar com ninguém. Aqui, você sabe exatamente o que fazer. Apenas vá para onde todo mundo for e você se dará bem, não importando o grupo social ao qual você pertence. Exemplo, se você é pagodeiro, vá para o lugar que toca pagode onde todo mundo vai estar. Se você não é pagodeiro, vá beber; é o melhor que você faz.
Existe um lado bom nessas coisas todas; eu, por exemplo, ando com as mesmas pessoas a pelo menos uns sete anos. Muitas pessoas devem achar isso um saco, eu sei, mas a verdade é que as amizades são mais fortes quando as possibilidades são desesperadoras.
Exista uma grande probabilidade de que você se foda na vida se não for um filhinho de papai, ou se não fizer direito, ou se você ousar não gostar de axé. Não questione a cidade; viva de acordo com ela e você será feliz e bem sucedido.
Nós éramos apenas um bando de otários que não estudaram direito, ouviam rock e eram filhos de cidadãos comuns.
Eu por exemplo sou filho de um casal de psicólogos num estágio transcendental de misticismo e apesar de estar cursando o ultimo ano de publicidade numa faculdade particular, ainda ganho a minha grana através de aulas particulares.
Juntos, éramos a massa dos excluídos pela massa, na visão dos outros ermos os diferentes, os loucos, os drogados, (mesmo os que não bebiam) e tínhamos em comum, um desespero, um medo de que as nossas vidas fossem ser exatamente aquilo para sempre. Bebemos para não perceber que talvez o tempo tenha parado ali. Depois, beberíamos para não pensar no assunto, comeríamos cada vez menos pessoas e, portanto, beberíamos mais e mais.
Agora faria o mesmo que fazia todos os sábados. Iria beber com a esperança de que:
a) Algo excepcional acontecesse e a partir disso tudo desse certo, ou;
b) Algo nos leve embora deste lugar para sempre. Para algum outro lugar onde você possa viver do jeito que você quer e se dar bem com isso.
Mas que se foda! Me leve em outro sábado, pois neste; eu quero curtir.

9 comments:

Just a Boy said...

"é isso que se faz numa cidade sem vida cultural, quase parada no tempo e com perspectivas aterradoras. Bebe-se para não perceber e se come alguém para disfarçar."
ah, eu entendo bem o q é isso, ah se entendo
(suspiro)
abraços rapaz

Râzi said...

Meu amor, aproveita que 2009 é o ano da mudança!!!

^^

Eu que o diga!

Beijão!

Jarbas said...

ouvi o Râzi, ele sabe das coisas... e não é um psicólogo místico transcendental [eu acho]

[risos]

ARCANO said...

Como é bom ler você.

Rafael Morello said...

Ai.. quero te dizer: este frisson bom e inútil de Sábado à noite, percorre todas as cidades. Eu tinha também isto em mim, aqui no Rio. Agora, sei lá, perdi. Ainda não sei se é bom ou mal. Seja como for, vamos continuar bebendo. Bj

alvarêz drewïzqe said...

recaídas e velhas esperanças, somos disso.

Alberto Pereira Jr. said...

sábados são bons, mesmo sem nada para fazer..

:)

Dani Ribeiro said...

ay, tava com saudade de ler voce garoto!

bons ventos o trazem sempre.

bjos

JOÃO said...

passe uma semana em sao luís e...
resista, se puder.. rsrs
abs